Trabalho Escravo - Uma pesquisa - Postagem 01

terça-feira, 20 de dezembro de 2016


Xangô é Negro
E seu machado está nas mãos de Marinaldo Soares Santos

Em uma manhã banhada de chuva se deu nosso diálogo florido de anedotas, gargalhadas e reflexões. Considero que se houvesse uma “dose” também beberíamos, para brindar a vida e a chuva que há três dias regava sua roça. “A chuva é vida”, disse ele. Marinaldo Soares Santos, 44 anos, aprendeu com o pai a contar “braças de terras” e tendo esse saber, sentia-se incomodado quando percebia que seus companheiros eram enganados pelos empregadores. “Às vezes eu chegava e perguntava - rapaz tu roçou quantas braças de terra? E o cara dizia: umas 50 braças. Eu olhava pra terra limpa e na verdade ele tinha roçado mais de 100, mas não sabia. As vezes a gente tinha até medo de explicar pra eles.”  Medo do patrão? Perguntei atento. ”Isso mesmo e de ser até morto pelo patrão”, respondeu pensativo.
Estar diante de um homem como Marinaldo, que passou por doze fazendas e em quase todas foi submetido às condições desumanas, chegando a ser resgatado três vezes da escravidão, ouvi-lo e olhar em seus olhos, é sentir na alma o rebuliço de nossas fraquezas diante de pequenos problemas e perceber-se ingrato perante á vida.
Na fazenda Barbosa ele escutou quando Firmino, dono da Fazenda, falou para o cozinheiro salgar a comida. “Ele mandava salgar a comida, pra gente beber muita água, a gente comia só arroz branco com ovo, o ovo era cozido de manhã, quando a gente ia comer meio dia já tava roxo, e era um pra cada. Quando dava três da tarde eu tava me tremendo de fome”. Na fazenda Terra Roxa Marinaldo também lembra um fato sobre a comida. “De longe eu vi Maria mexendo umas coisas com o pé, cheguei bem perto e vi que ela tava espalhando o feijão com o pé, perguntei - Maria porque você tá mexendo nossa comida com o pé? Ela respondeu que o pé dela era mais limpo do que aquele feijão e disse que tava espalhando com o pé porque tava com nojo de usar a mão, quando olhei pro feijão não tinha mais massa, era só as cascas e os bichos, aqueles tapuru”.
De todas as fazendas que enfrentou, a Barbosa foi a que mais lhes deixou marcas, que ele expõe com tristeza, mas vez em quando não resiste a uma boa gargalhada. É nessa hora que percebo a força desse grande homem e sua gratidão pela vida.
Ao lembrar-se de um fato sobre um rapaz que havia sido açoitado com uma vara pelo patrão, reforça-se o quanto há de senso de justiça dentro de seu Marinaldo. Ele enfrentou o carrasco. “Falei pra ele, Seu Firmino não bata no rapaz não, se o senhor não quer mais os serviços dele, se não tá gostando dos serviços dele, manda ele ir embora, mas o senhor não pode bater nele não”. O rapaz foi embora da fazenda sem receber o pagamento, foi embora pegando carona e vendeu a capivara que criava de estimação, conta seu Marinaldo. Firmino além de escravocrata era traficante, tinha em suas terras plantação de maconha, abusava sexualmente de crianças e adolescentes, especificamente meninos, e tinha porte ilegal de armas. Ameaçava os trabalhadores, torturava, jurava de morte e os mantinha em suas terras alegando dívidas, além de serem obrigados ao trabalho forçado e sem direito a receber pagamento. Ele dizia pra nós: “essa arma aqui é pra dar tiro no joelho de peão, pra secar a baba, pra ver como é que anda”. Mesmo tendo consciência de toda crueldade desse típico coronel, Marinaldo, que parece carregar consigo o próprio machado de Xangô, não lhe desejava a morte “se matasse ele, estaria perdendo nosso direto”. O machado da Justiça conduzia suas mãos, seus pensamentos e por muitas vezes lhe deu forças para enfrentar o ódio e mais ainda, aconselhar com sabedoria o covarde patrão que ameaçou de morte os trabalhadores por ter ficado sabendo que alguns queriam lhe denunciar. “O senhor não pode sair por aí dizendo, ameaçando as pessoas de morte, sem saber a verdade, primeiro o senhor tem que perguntar pra elas”.
Marinaldo, um ser-humano esperançoso, contemplativo e de sorriso largo. Liderou companheiros para denunciarem as fazendas onde estavam sendo submetidos a condições de escravidão. Ele permanecia na Fazenda, enquanto um companheiro saia para denunciar. Ficar na fazenda era também uma forma de proteger os amigos. Marinaldo é um homem destemido e protetor. Certa vez disse ao patrão: “não faça nada com nenhum dos meus parentes, é melhor me matar, porque se não...”. Os recados eram sempre claros e diretos e os fazendeiros de alguma forma temiam-no. Sobre o feijão com bichos chegou a chamar o patrão de porco e este, apesar de ter se estremecido de ódio, nada tentou contra a vida de Marinaldo.
Marinaldo, um negro, vítima da escravidão contemporânea, resgatado três vezes das mãos de fazendeiros escravocratas, hoje é uma liderança em Pindaré Mirim e Monção no Estado do Maranhão e participa ativamente de encontros e atividades organizadas pelo Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos – Carmen Bascarán.
Marinaldo recebeu no dia 14 de dezembro de 2016 o Prêmio Nacional de Direitos Humanos na categoria Combate e Erradicação ao Trabalho Escravo. O Prêmio de Direitos Humanos é a maior condecoração do Governo Federal às instituições e lideranças que lutam no enfrentamento às violações dos Direitos Humanos. Ao perguntar sobre o prêmio, ele respondeu “é meu porque foi eu que fui lá e recebi, mas sinto que é nosso”.


                                                                                                                    Xico Cruz
                                                                                                                              
                            

4º Dia - O ENTERRO DOS BENEVOLENTES

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

4º Encontro.

Exercícios:

- Alongamento
- Leitura
- Pula corda 
- Caminhada
- Treme-treme

Foi um dia difícil, de muita busca e muitas incertezas. Os atores falaram sobre suas dificuldades e dúvidas. Conversamos, esclarecemos algumas coisas e outras deixamos em mais dúvidas ainda. Estamos em paz em busca de guerra.
Deu mais vontade de seguir. Caminhar.
Na leitura\caminhada encontramos corpos\vozes, algumas guardamos,
outras jogamos fora. Estamos no caminho.Estamos construindo. 

3º Dia - O ENTERRO DOS BENEVOLENTES

sábado, 26 de setembro de 2015

Terceiro dia de treinamento.
Exercícios:
  • Alongamento
  • Respiração
  • Caminhada
  • Corda Bamba
  • Toque
  • Treme - treme 
Corpos disponíveis. Vontade. Desejo.
Somos domesticados e os corpos vêm poluídos de movimentos cotidianos, banais, medíocres... O processo de desconstrução desse condicionamento é doloroso. É essa a dor que estamos sentindo. Deixa dor, deixa morrer... 
Viva os que desejam "morrer"!


             Na foto os atores Mikaell Carvalho e Max Sandro

2º Montagem

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O Grupo Cordão está em processo para a construção do espetáculo "O Enterro dos Benevolentes" 
trabalho que compõem a 
Trilogia das Transgressões. 
"Enquanto Shakespeare Não Vem" 
é o primeiro espetáculo da trilogia.   

Foto: Mikaell Carvalho

Quilombo Santa Rosa

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O Grupo Cordão nos dias 21 e 22 de fevereiro visitou o Quilombo Santa Rosa dos Preto (Maranhão)
O objetivo da viagem era, apresentar o espetáculo "Buraco", espetáculo que fala sobre os impactos da mineração nas comunidades do Corredor Carajás (Pará e Maranhão) e em troca receber uma oficina de Caixa do Divino, a comunidade nos ofereceria a oficina. Quando chegamos no Quilombo, uma surpresa, na verdade a comunidade tinha se organizado para várias oficinas de troca de saberes, essa oficina era para repassar para os adolescentes e crianças, saberes do Quilombo, danças, batuque, cantigas. Aproveitamos e entramos na roda, cada integrante fez uma oficina. Uma experiencia rica, única, e da qual somos gratos a vida por ter nos presenteado. Viva o Quilombo, viva a resistência, viva a vida. Durante todo o dia participamos das oficinas e no final apresentamos nosso espetáculo. Foi lindo, foi Divino.
Aproveitamos aqui para agradecer ao Justiça dos Trilhos pela parceria, carinho e afeto.
em novembro retornaremos ao Quilombo para participar da Festa do Divino. 
Aqui posto fotos, para que vocês apreciem um pouco da nossa experiencia. 










Shakespeare no Cabaré das Artes

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Enquanto Shakespeare Não Vem volta a se apresentar na cidade de Açailândia. Aguardem mais informações, em breve.









FESTLUSO

domingo, 22 de setembro de 2013

Olha só quem encontramos no FESTLUSO - Festival Lusófono de Teatro - Teresina PI.

O grande ator e escritor Ivam Cabral




O bom de viajar e ir a festivais é o prazer do reencontro, do abraço, dos sorrisos e das palavras.
Sempre encontramos amigos por onde passamos, e quando não encontramos, fazemos novos amigos, como é o caso de Chico Coimbra e Fernando Leão.



Saudades de todos os amigos que participaram do FESTLUSO.

Imprensa

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O que andam falando sobre nós... Vejam no site do Correio Popular.


http://www.jornalcorreiopopular.com/?id=1930

Projeto Circulando Cultura - SESC-MA

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O Cordão teve o privilégio de ser convidado pelo SESC para participar do projeto Circulando Cultura.
Nossa apresentação aconteceu na cidade de Imperatriz - MA no Teatro Ferreira Gullar dia 17/09/2013.
A equipe do Imperatriz Fotos fez o registro fotográfico de nossa apresentação. Vejam no site o resultado.




http://www.imperatrizfotos.com.br/enquanto-shakespeare-nao-vem-cordao-de-teatro/

Obrigado ao Daniel Sena.

Queremos também agradecer a Isoneth Almeida e Carol Aragão ambas do SESC - São Luis - MA.
Obrigado meninas guerreiras por terem premiado Açailândia e Imperatriz com essa bela programação cultural.
(Palco Giratório e Circulando Cultura)



Açailândia

quarta-feira, 18 de setembro de 2013


Do Blog Papo Sério.

Sobre nós no blog Papo Sério.

http://jornalismopaposerio.blogspot.com.br



1 ANO DE ESPETÁCULO

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Em setembro faz um ano que estamos apresentando "Enquanto Shakespeare Não Vem".
Sentimos a cada dia que será duradouro os anos de vida desse trabalho. A cada apresentação nos surpreendemos com as reações do público, com as críticas, com os votos de felicidades, com os sorrisos de satisfação e com os abraços de agradecimento.
O Cordão segue feliz na missão, na peleja de conquistar espaços de apresentação, de parcerias, de cumplicidades...

1 Ano de vitórias, de labuta, de retornos, de suor...
Parabéns a toda a equipe.
Mikaell
Walison
Jordânia
Xico.

O grupo segue em apresentações:
Dia 17 de setembro no Teatro Ferreira Gullar - Imperatriz
Dia 12 de outubro no Centro de Defesa - Açailândia.

Evoé!


FestLuso

segunda-feira, 2 de setembro de 2013




Festival Internacional de Teatro Lusófono - FESTLUSO 2013
O festival aconteceu na cidade de Teresina - PI na semana de 26 a 31 de agosto
e participaram grupos de Portugal, Cabo Verde, Moçambique, Angola e Brasil.
O Cordão se apresentou dia 30/08 no Teatro Estação.
O espetáculo "Enquanto Shakespeare Não Vem" conquistou o público, arrancou aplausos e foi alvo de boas críticas.
O grupo Harém nos recebeu de braços abertos. Teresina com seu calor acolhedor esquentou nossos corações. 
A apresentação lotou o espaço e recebeu convites para outros festivais, bem como voltar a cidade de Teresina.
Os membros do Cordão participaram da oficina de figurinos, ministrada por Chico Coimbra e foi uma aprendizagem imprescindível para o grupo.
O Cordão agora se prepara para se apresentar dia 17/09 no Teatro Ferreira Gular em Imperatriz.

Evoé Baco.

Espetáculo

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Peguei essa foto do face do O Imaginário

Ser Tão Ser, Narrativas da Outra Margem - Buraco D'Oráculo - São Paulo.

Na foto o nosso mestre Amir Haddad, e lá no cantinho minha cabeça.
As cenas do espetáculo eram lindas e o café tinha uma cheiro tão bom. Parabéns.

Amazônia Encena na Rua

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O Festival Amazônia Encena na Rua acontece m Porto Velho - Rondônia.
O espetáculo "As histórias de Magá" da Cia. Cata e Conta, sob a direção de Xico Cruz e figurinos de Walison Melo, novo integrante do Cordão, foi apresentado no dia 29 de julho, ultima noite do festival.
Foram mais de 30 espetáculos.
Grupos da Amazônia legal e convidados.
Seminários. Oficinas de teatro.
Foi um belíssimo festival. 09 dias de muita beleza.

Fotos roubadas do facebook Palco Fora do Eixo Amapá  http://www.facebook.com/PalcoForaDoEixoAmapa




Festival

Fomos e foi lindo


Notícias

Espetáculo "As Histórias de Magá" fez estreia no mês de julho e em setembro volta a se apresentar no Teatro Ferreira Gullar.

As fotos são de Cida Marconcine



Espetáculo

Xico Cruz dirige Jô Santos em: "As Histórias de Magá", texto de Silvana Cartágenes e Bill de Jesus.


Release: Uma lavadeira de sonhos. Uma mulher que na peleja do dia a dia faz fluir a imaginação de todo o público com suas histórias e tagarelices. A atriz Jô Santos entra em cena manipulando bonecos e com sua trouxa de roupas vai levando pro mar o rio da ilusão de cada um de nós.
O espetáculo “As Histórias de Magá” é um trabalho de contação de histórias e com muitas cantorias. Ela se divide em manipulação de bonecos e interação com o público como lavadeira de roupa que conta histórias. É um trabalho que envolve a todos pois vai além da nossa imaginação.


Ficha Técnica

Espetáculo: Histórias de Magá
Direção: Xico Cruz
Atriz: Jô Santos
Equipe Técnica: Walison Melo e Xico Cruz
Duração: 40 minutos
Classificação: Livre




Boa Madrugada

terça-feira, 10 de abril de 2012

É sempre assim.
Sempre acontece algo que nos faz parar o processo.
Paramos com os ensaios de "Enquanto Shakespeare não vem", são questões bem comuns, outros trabalhos, grana, estudar, bobagens, enfim... Mas não desistimos! Que bom! Não desistimos.
Esperem mais notícias, não tardarei a postar.

Dia-a-dia

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012



Dias e mais dias.



Dias inteiros.



Todos os dias o dia inteiro. Rotina.



É esse o trabalho de quem precisa produzir, criar, movimentar...


Em abril estreia: "Enquanto Shakespeare Não Vem" e pra alegria do Cordão consegui fechar uma parceria com o Sistema Mirante que vai fazer nossa mídia. Já estou criando um comercial falando sobre o Cordão.

E o trabalho continua, projeto pronto, alguns contatos para patrocínio, ensaios e mais ensaios e muitas dores... Flores pelo caminho!



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